IMPACTO DO SISTEMA MATRILINEAR NOS CONFLITOS DE HERANÇAS NO MEIO KONGO EM LUANDA (CASO: CASAMENTOS E ÓBITOS)
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este trabalho tem a preocupação, a partir de um contexto particular da cidade de Luanda, em Angola, analisar o impacto do sistema matrilinear do povo Kongo, nos diversos conflitos que são causados nos casamentos e na partilha de heranças após a morte de um ente querido. Ao mesmo tempo, e atendendo às tradições dos ancestrais que conflituam em muito com a lei constitucional da sociedade atual. Pelo que o problema da herança requer um diálogo entre famílias que devem conhecer as tradições e a constituição para estabelecer o equilibro nos conflitos. No estudo do sistema matrilinear Kongo, onde a história mostra que na sua cultura, a mulher tem uma sucessão genuína dos membros da família e do clã. Desta feita, as questões da herança sociopolítica como qualquer bem material e espiritual passa do tio para o sobrinho, filho da irmã. Essa atitude tem sido uma fonte de vários conflitos familiares, no meio kongo em Luanda que carece de diálogo entre o poder constitucional e tradicional. Sendo a família a base de qualquer sociedade, vimos que o sistema matrilinear Kongo requer uma atenção e um estudo especial, tanto na área da religião quanto na construção da linhagem familiar.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
The journal KWIJIYA: Angolan Journal of Religion, Theology, Society adopts an open access policy, allowing all of its content to be freely available and without immediate barriers to the reading public.
The published texts are licensed under the Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International (CC BY-NC-SA 4.0). This means that readers may copy, distribute, display, and perform the texts, as well as create derivative works, provided that:
- Proper attribution is given to the original authorship, mentioning as the primary host the journal KWIJIYA: Angolan Journal of Religion, Theology, Society
- The content is not used for commercial purposes
- Derivative works are distributed under the same license
This policy aims to promote the circulation of knowledge, while respecting copyright and encouraging collaborative and ethical practices in scientific production.
Referências
AFONSO, Camilo, (2018). História do Kongo os Bakongo em Angola: História e cultura os Bakongo em Angola: História e cultura.
ALTUNA, Raul Ruiz Asúa, (2014). Cultura tradicional bantu, Portugal; (2ª Edição) Artipol Artes Tipográficas, Lda – Águeda.
ARHIN, K. & Goody, J., (1978) Ashanti and the Northwest, Legon: Institute.
ATKINS, G., (1965). Manding: Focus on an African Civilization (London: African Studies, University of Ghana.
BALANDIER, Georges. 1965. La vie quotidienne au royaume de Kongo: du XVI au XVIII siecle.
BAUR, John, (2014). 2000 anos Cristianismo em África, uma História das Igrejas Africanas (2ª edição), Artipol – Artes Tipográficas, Lda.
BUJO, Bénézet & MUYA, Juvenal I., (2012). Teologia Africana no Século XXI. Portugal: Paulina Editora.
CAMILO & NSAOVINGA, Nanizau, (2016). HISTÓRIA DO KONGO – a organização social Kongo.
DE CAVALHO, Emílio, (1995). A igreja Africana no Centro da sua História. Queluz, Portugal: NÚCLEO – Centro de publicações Lda.
DE OLIVEIRA, Fernanda, (2018). O matriarcado e o lugar social da mulher em Africa: Uma abordagem afrocentrada a partir de intelectuais africanos. D.O.I.
DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE LÍNGUA PORTUGUESA, (2003): Porto, Porto Editora, 12ª Edição.
DICTIONNAIRE LAROUSSE FRANÇAIS, (1985), Paris, 13ème Edition.
FONSECA, Antonio, (1984). Sobre os kikongos de Angola. Luanda, Edições 70.
HENDERSO, Lawrence, W., (2001). A Igreja em Angola, um rio com várias correntes, Luanda: (2ª edição.), editorial Além-Mar.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (abril 2022): Pesquisa Sobre As Acusas de Divórcios no mundo.
KEITA, Boubacar, (2021). A África negra: Colonização. Luta de libertação. Independência (1ª Edição) Belo Horizonte: Ancestre.
LUKOMBO, Joao Baptista, (1997). Comunidades e instituicoes comunitarias em Angola na perspectiva do pos-guerra: o caso das populacoes de origem Bakongo "regressados" das ex-Republica do Zaire e fixadas no tecido peri-urbano luandense. Ngola: Revista de Estudos Sociais. Vol.1, n. s l. Luanda, AASA (Associacao dos Antropologos e Sociologos de Angola).
MAGESA, L., (2014). African Religion: The Moral Traditions of Abundant Life. Tazania: Orbis.
MASSOMBA, (2003) DW - Devolopment Workshop. 07/03/2023
MBOKOLO, Elikia, (2007). África Negra: História e Civilizações Tome I, do século do Século XIX até aos nossos dias, Lisboa: Colibri.
MILHEIROS, Mário, (1956): Anatomia social dos Maiacas, Luanda, Apostolado.
NSONDE Jean, (1995). Langues, culture et histoire Kongo aux XVIIe et XVIe siecle: a traves les documents linguistiques. Paris, L’Harmattan.
OGOT, Bethwell Allan, (2010). História geral da África, V: África do século XVI ao XVIII, sob dir., Valter Roberto Silvério, Editado, Brasília: UNESCO. Paris, Hachette.
PEREIRA, Luena, (outubro de 2021): Gênero, geração e espaço público: notas sobre circulação e protagonismo de mulheres Bakongo em Luanda. Abe África: Revista da Associação Brasileira de Estudos Africanos, v.6, n.6.
PEREIRA, Luena. (2015). Os Bakongo de Angola: etnicidade, política e parentesco num bairro de Luanda. Rio de Janeiro: Contracapa.
RESCOVA, Joaquim, (2015): Le corps Résistant du langage culturel Bant: vers une compréhension des pratiques culturells marginalisées de la société Angolaise le cas du Mariage Traditionnel Kongo. Université de Strasbourg, Strasbourg.
SARAIVA, Clara, (2004). “Embalming, Sprinkling and Wrapping Bodies: Death Ways in America, Portugal and Guinea-Bissau: A Cross-Cultural Study”, Symposia, Journal for Studies in Ethnology and Anthropology, Craiova, Center for Studies in Folklife and Traditional Culture of Dolj County.
SISSIMO, Alberto, (2022). «Nhê Tcholya…??!!» O Sentido da morte na cultura Umbundu de Angola. Editora Bc Livtec, Lda.
TEMPELS.P., (2018). A Filosofia bantu, Luanda, Paulinas.
The Oxford Dictionary of Current English (1989). 2nd Edition, Oxford, England: Oxford University Press.
THORNTON, John, (1983). The Kingdom of Kongo. Civil war and transition 1641-1718. Wisconsin, the University of Wisconsin Press.
VAN GENNEP, Arnold (1981): Les Rites de passage: etudes systematique, Paris E. Nourry.
VITA, Mbala, (2001). La Société Kongo Face à la colonisation portugaise 1885-1961, Paris.